Era um dia de sol, mesmo tratando-se do inverno. Ele estava num shopping movimentado esperando a sua quase-namorada. Quase-namorada porque ela não sabia deste lindo sentimento que nutria. Mas estava decidido, naquele dia contaria tudo.
Ela chegou. Linda como uma deusa, num vestidinho rosa. Seu corpo delgado se ajustara perfeitamente naquela peça elaborada simetricamente para ele. No mesmo momento começou a tocar, ao fundo, a música “Beautiful Day” do U2. Música esta que se tornaria a música deles.
Cumprimentos são trocados. Os olhos dele revelam seus sentimentos antes que palavras sejam proferidas. Nos olhos dela nada se pode ver. Ansioso, nervoso e boca seca. Neste estado, palavras de um inesperado sentimento começam a ser ditas. Os olhos dela, antes indiferentes, são tomados por uma perplexidade incrível. Ela não esperava por isso.
Mesmo com todas as palavras sinceras de um sentimento que superou diversos obstáculos, ela parece não estar convencida daquilo. Simplesmente prefere não acreditar. E, ao final da apresentação dos seus sentimentos, um forte, duro e cruel NÃO é disparado como um tiro em seu peito. Ele não esperava por isso. Seu “beautiful day” transformou-se num “painful day”. Ela tenta se justificar, explicar o porquê da negação, porém o já ferido coração dele não ouve qualquer argumento e sofre, sofre e sofre.
Lágrimas começam a rolar. Ela não sente pena ou remorso, estava fazendo o que achava correto. Ele, triste, não achava consolo em palavras, queria sumir. Talvez os dois quisessem.
Ele insiste. Ela resiste. Ele explica que sua inteligência, sua personalidade e o seu jeitinho o atraíram como uma mariposa para a luz. Ela não quer arriscar, tem receio, seu coração já sofreu muito. Não como o dele. Ela admite que era tão bom ouvir palavras como aquelas, parecia que ele estava preenchendo um vazio que existia, que Deus tinha ouvido suas preces e mandado o último homem decente que existia para fazê-la acreditar que é possível encontrar o verdadeiro amor, mas, infelizmente, este sentimento não tinha por ele.
Ela levanta-se para ir embora. Ele a segura pelo braço com delicadeza, um jeito meigo de dizer: “Não vá! Não me deixe!” Ele levanta também e vai ensaiando uma aproximação dos seus rostos. Pensa ele: “Talvez um beijo resolva tudo!” Ela se afasta levemente. É um outro não indireto. Ele a respeita: “Não é não”.
Ela despede-se e ele se oferece para acompanhá-la até o carro. Ela entra no veículo e seus olhos se fixam por alguns segundos nos dele. Ela vê todo o seu sofrimento e seus sentimentos sinceros, mesmo assim não é demovida da sua decisão. Pensa: “Não posso namorá-lo por pena”. Ela parte dali e parte um coração também.
Ele fica só e quebrado. Talvez os pedaços do seu coração tenham se transformado em pequenas gotas de lágrimas, pois várias delas são derramadas. Lágrimas de um amor não correspondido, lágrimas de um coração ferido. Um coração que ele, infelizmente, perdeu neste processo.
"texto inspirado no estilo de uma grande amiga".
sexta-feira, 20 de abril de 2007
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2 comentários:
Um conto!!!
Ah, agora precisei pular a seqüência. Confesso que adoro contos. E esse ficou super expressivo, todo bem escrito, com uns termos bem escolhidos, entre outros itens importantes. Realmente pude visualizar a cena que descreveu, como em um curta. Não pude deixar de observar que esse seu texto esclarece as próprias entrelinhas. Já nos meus, as entrelinhas apenas existem, mas nem sempre as trago a tona. Essas diferenças é que são ótimas! Cada um com uma técnica de expressão que contribui com uma nova visão ao enredo. Parabéns! Gostei mesmo.
Beijos
UAU!!!!!!!! Que história linda... até imaginei a cena!!! Fiquei emocionada...
Beijos
Nedja
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