Este é o título de uma das melhores histórias do Homem-Aranha que já tive o prazer de ler. Revista esta que colecionei com amor e foi tirada de mim. E hoje protagonizou uma linda demonstração de carinho e amor. Vamos ver como tudo começou.
Em idos de 1991 eu era um fã neófito do Homem-Aranha, visto que comecei a colecionar tudo sobre o herói em 1990. Numa manhã mágica, quando passava por uma banca de revistas, um título me chamou a atenção: "A Última Caçada de Kraven". A Revista brilhava para mim. Ainda com poucas informações, mas já sabia quem era Kraven, o incrível caçador russo que queria a cabeça do Aranha como troféu. E me perguntava por que a última?
Peguei a revista em minhas mãos. Era em formato americano, um luxo naquela época, em papel especial. Fiquei deslumbrado, porém algo me fez retornar a realidade: O Preço! Com o valor daquela revista, de um pouco mais de 50 páginas, dava para comprar três das comuns. Contudo alguma coisa dentro de mim dizia que aquela revista era especial. Seria uma formidável aquisição para minha coleção. Voltei correndo desesperado para casa.
Chegando em casa falei com meu pai que sempre alimentou o meu gosto pela leitura. Fiquei pulando na frente dele explicando a importância daquela revista. Acho que ele viu o quanto meus olhos brilhavam que foi logo abrindo a carteira. Quando falei o preço ele levou um susto e bradou: "Que revista cara é esta!" Mesmo assim me deu o dinheiro.
Comprei a tão sonhada revista. Depois vi outro detalhe: "Mini-série quinzenal em três edições". Putz! Teria que desembolsar o valor outra vez depois de quinze dias para comprar a segunda. Tudo bem, falava comigo mesmo, vou conseguir.
Fiz o meu ritual para ler revistas desta importância. Silêncio absoluto, na mesa da sala e de madrugada. Era bem legal! Mergulhei na história e não agüentei esperar os quinze dias e todos os dias estava fazendo ronda na banca de revistas.
Quando a edição dois chegou nova corrida desenfreada para casa e não tive problema para conseguir o dinheiro com meu pai. Novo ritual. Mergulhei novamente na história que continha uns versos que recordo até hoje: "Aranha! Aranha!/ Sinta a chuva como açoite/ Nas florestas da noite/ Que ser de tamanha maestria/ Pode tecer/ Sua terrível simetria?" Adorava!
A edição três foi mais fácil porque pedi a dona da banca de revistas para reservar para mim porque quase todo dia eu estava lá. A história se fecha de forma surpreendente e emocionante. E finalmente descobri porque esta era a última caçada de Kraven.
Estas três revistas eram especiais. Ficavam separadas das revistas "normais" e não emprestava para ninguém. Até que um dia um "colega" foi lá em casa pedir revistas emprestadas. Eu tinha uma regra: Não emprestar revistas do Homem-Aranha. Mostrei minhas revistas do Batman, Capitão América, porém ele se dizia fã do Aranha e como prova de boa-fé me trouxe quinze revistas do Aranha. Revistas normais antigas que serviriam para descobrir mais algumas coisas do herói.
Então mostrei o Corner do Aranha. Em pouco tempo eu já tinha um bom número de revistas, mas ele perguntou se só tinha aquelas revistas porque já as conhecia. Com o meu orgulho de fã e colecionador ferido abri o meu baú e retirei minhas preciosidades. Envoltas num plástico transparente retirei as três edições da última caçada de Kraven e a edição de uma revista normal do Aranha, ainda editada pela Abril, com o título: "Fim de uma era: A última aventura com o uniforme negro". Vi os olhos dele brilharem e o meu ego se encheu de orgulho. Ele pediu emprestado e, lógico, neguei, contudo ele insistiu e insistiu e já tinha emprestado a ele e nunca tive problemas. Emprestei com super recomendações.
Como fui tolo! Uma semana depois fiquei sabendo que ele tinha se mudado. Como chorei de raiva! Depois de tanto esforço alguém levar o que é seu assim na boa. Procurei em sebos de revistas e não achei. Na distribuidora e nada. E então perdi as esperanças. Serviu de lição e nunca mais emprestei uma HQ novamente.
Desseseis anos depois estava assistindo ao filme do Homem-Aranha com minha namorada e expliquei a ela uma cena que Sam Raimi, diretor do filme, tinha retirado da minha adorada revista e depois expliquei toda a história. Ela viu todo o meu sentimento e frustração.
Então no nosso aniversário de três meses uma misteriosa caixa é entregue de presente. Quando abri a caixa a mesma sensação de desseseis anos atrás tomou conta do meu corpo. Nem li o título, só foi preciso ver a capa para que minha mente voltasse no tempo. Fiquei sem palavras para agradecer a demonstração de amor e carinho. Demorou uns cinco minutos para a ficha cair.
Relembrei o ritual há muito esquecido e elas estão no lugar de onde nunca deveriam ter saído. E mais uma vez este herói, esta ficção, torna-se protagonista de um episódio da minha vida. Além da responsabilidade, determinação e sensibilidade ele serviu de meio para a mais incrível demonstração de amor e carinho que já recebi de uma namorada na minha vida.
Obrigado, meu Raio de Sol, Ana Paula.
2 comentários:
Perfeito! Confesso que de todos os textos do “Pensamento...” esse foi o que mais gostei. Muito bacana! Muito mesmo! Desde a empolgação ao ver a revista na banca, os argumentos que usou com o seu pai (nossa, isso dá um frio na barriga), o seu cuidado com as revistas (sem querer emprestá-las), o ego ferido (Huuum, deu mole heim! Ah, mas também o cara vai logo achando que é mais fã que você! Imagina! Assim não tem condições! Hahahah...), o ego recuperado, um amigo que na verdade não foi amigo, o desconsolo fatal da perda e no fim, um Happy End. E então, você ganhou novamente a revista, mas agora das mãos da amada! Massa! Hahahah...
Gente, sério mesmo, adorei! Fiquei alegrinha aqui e visualizei tudo. Adoro historinhas com obstáculos e happy ends. Ah, depois eu quero ver essa revista POWER, ainda mais que tem papel especial. Aí é comigo msm, hahahah...
=D
Beijo
Hello,
Olha só, postei o meme e o seu nome já está lá nos indicados. Quando tiver um tempinho, pode fazer o seu post.
=)
Postar um comentário